Idade - 76 anos - nascido a 11/03/1934
Filiação
Pai: Sebastião de Sousa Neto
Mãe: Maria Elisa Moreira dos Santos
Profissão dos pais
Ambos os dois eram criados de servir. Depois de casados estabeleceram-se por conta própria como padeiros.
Naturalidade - Beire
Como foi a sua infância e adolescência?
Até à idade de casar, a minha vida toda de mocidade, de adolescente, passei-a em Beire. Sou natural de lá e estive lá até ter o segundo filho, com o segundo filho estabeleci-me em Rebordosa.
A minha infância foi uma infância no tempo do Estado Novo, de Óscar Carmona. Lembro-me dos meus 6 anos, e de ser Salazar, o Presidente do Concelho de Ministros. Era um tempo difícil, a 2ª Grande Guerra tinha acabado em 35 e a Europa estava devastada.
Embora não tivéssemos participado directamente na guerra, participamos de outra forma. Éramos um país muito atrasado.
Escolaridade
Tenho o 1º ciclo, mal feito. Fiz o exame da terceira com dez anos e fiz o exame da 4ª classe antes de ir para a tropa.
Que profissões teve?
Eu sempre tive a sisma, quando era catraio, de ser mecânico. Naquela altura era preciso andar um ano de graça nas artes de carpintaria, marcenaria, mecânica, de sapateiro, de alfaiate… Só a trolha e a pedreiro é que se entrava logo a ganhar. Eu queria trabalhar como mecânico, mas a minha mãe e o meu pai eram umas pessoas severas e éramos a maioria rapazes. Tínhamos que seguir a nossa vida cedo. Por isso, aos quinze anos fui para trolha. Até aos vinte e um, até idade que os meus pais mandavam em mim, trabalhei como tal.
Depois fui para a tropa, quando vim da tropa disse aos pais que me ia estabelecer por conta própria. Mas primeiro, queria ajudá-los a fazer algo em que eles pudessem ser os empresários. Foi uma proposta um bocado esquisita mas há coisas que sendo um bom caminho, um filho deve seguir. Os meus pais eram pessoas honestas, com medo do risco, de se lançarem para a vida, e portanto ter um filho como eu fui, por um lado era bom mas por outro causava-lhes alguns embaraços.
Desta forma, os meus pais escusavam de andar a trabalhar para os outros, mas era difícil arranjar um alvará para qualquer coisa. Nessa época só tinham alvarás para quem era fulano de tal, tinha que ter conhecimentos, não havia as oportunidades que hoje há para qualquer pessoa. Tinha de ter xis metros quadrados de área por dentro, xis metros quadrados de área circundante. No entanto alvarás familiares eram mais fáceis de se arranjar, de maneira que consegui estabelecer os meus pais a trabalhar conjuntamente com os filhos e abrimos uma padaria.
O meu sonho era ser mecânico mas não me arrependi do que fiz pela família e por mim. Organizei a minha vida, consegui juntar dinheiro, o meu pé-de-meia e consegui abrir a minha padaria cá em Rebordosa.
Em 1961 casei-me (tinha 27 anos) e vim para Rebordosa.
Como surgiu a ideia de acolher pessoas, de ajudá-las?
Foi fácil! Como se sabe toda a gente que me conhece, o meu estilo não é de imposturice; sou calmo, correcto e tinha esta ideia de ajudar as pessoas. Como nasci de uma família pobre, criados de servir, numa freguesia pobre, entendi que já tinha a minha vida mais ou menos estabilizada e podia fazer alguma coisa pelos outros. Cheguei à conclusão que só pelo meio da política é que podia chegar a algum lado e meti-me na política.
O que é que ele fez para ser considerado um líder?
Fui Presidente da Junta durante muito tempo, toda a gente sabe. Estive durante cinco mandatos como Presidente da Junta e um como Presidente da Assembleia. Portanto vinte anos como Presidente da Junta e três na Assembleia. Deram-me sempre a maioria; aceitaram-me sempre muito bem nesta terra, como um filho pródigo. Eu achei que também tinha que retribuir da melhor forma, pelo respeito que me tinham. E foi desta forma que quis colmatar uma grande necessidade nesta terra, a parte social. Felizmente com esta força de vontade que trago, com este entusiasmo e com este coração aberto, fui para a frente com o projecto.
Nessa altura já havia instituições como a ADR?
Nessa altura já havia instituições do género desta; havia as misericórdias que foram as mães dos lares e dos centros-de-dia, mas só depois com a abertura do Estado, com a Democracia, é que se concretizaram as instituições com esta dinâmica. Eu criei a instituição, mas não foi com aquela ideia de criar o património que se tem hoje, que ninguém pense que eu fui logo fazer isto e aquilo. A ideia era fazer alguma coisa pelos outros, não ir tão longe como o que fui. Esta força de vontade também a devo à terra; em ser grande e ter muita população ajudou-me a colaborar com os projectos e a dar-lhes dimensão. O potencial que esta terra tinha de realmente criar esta obra, que a obra nunca é só de um - muita gente diz eu fiz isto, pois eu nunca fiz nada, unicamente fui sempre o obreiro de todos os progressos -, aquilo que estivesse ao meu alcance, colaborava, aquilo que me era solicitado eu assistia, nunca tive inveja de ninguém. Como sabem existem muitas associações que visam o desenvolvimento de Rebordosa mas esta foi a rainha. Na altura não havia cá nenhuma para o Desenvolvimento de Rebordosa, eu ainda estava na Junta a trabalhar.
Que tipo de formalidades e burocracias se confronta quando se quer envolver-se num projecto deste, mais concretamente de uma IPSS?
É fácil, estas instituições têm estatutos. Um advogado está inteirado das legislações para esta área e pode ajudar a concretizar esses estatutos. Depois opta-se por áreas de interesse; desporto, acção social, um rancho folclórico, etc. Uma instituição fundada tem depois o rumo que os seus líderes lhe quiserem dar. É aberta e flexível nesse sentido. Tem que se investir neste processo primeiro, são os gastos jurídicos, etc. E é registado num notário. Depois tem que se trabalhar!
De facto, hoje a ADR tem uma dimensão que abrange várias gerações e faixas etárias…
Sabe que o futuro ninguém o prevê, a pessoa que tem vontade de fazer, não pode desanimar, as coisas aparecem, agora quem vai prever o futuro? O que vejo é que esta terra merece mais e que muitos têm ainda que fazer por esta casa.
Mas há algum segredo que nos gostasse de revelar e que está na base da concretização desta obra?
Há um segredo, é fácil, primeiro de tudo é gostar do que se está a fazer. Segundo, ser honesto, ser uma pessoa frontal, não cobarde, ser uma pessoa que sinta aquilo que vai na alma e que faça as coisas com vaidade, num sentido saudável, e com humildade.Quais são as suas maiores preocupações neste momento?
São aquelas que nasceram já comigo; ser cumpridor, pois queiramos ou não a ADR é uma mensagem da boa nova de Rebordosa. Em qualquer sítio deste país. Não é por acaso que esta cidade é conhecida e falada em todo o lado. Ela tem um nome que não se compra, constrói-se. E esta construção é cara mas não é minha só, é de toda a gente que aqui trabalha. Desde a criança ao idoso, a obra é de todos, agora tem que haver uma coluna vertical e tudo trabalha em volta dela, agora se esta tiver qualquer fissura ou doença, tudo anaca. Se houver quem siga com este projecto, se fizer uma terça parte do que está feito, são já grandes gestores.
O Sr. Neto, melhor do que ninguém conhece bem esta cidade; o que mais gosta e o que menos gosta nas pessoas e na cidade de Rebordosa?
Gosto muito desta terra. Perfeito não há ninguém, e sei que não agrada a toda a gente, mas também tenho consciência de que ainda está para nascer o homem, neste planeta que agrade toda a gente.
E sua família, como acompanha a sua carreira?
A minha mulher e os meus filhos apoiaram-me sempre. Antes da política a minha família estava já organizada e nunca apontaram nada. Não tinha nada que fosse contra eles. O que eu tinha era nosso. Só a minha mulher é que tinha autorização de me dizer alguma coisa. Ela que foi sempre trabalhadora, deixou-me fazer sempre o que eu queria. De resto, nunca lhes faltou nada. Demo-nos todos sempre bem.
Tem algum projecto predefinido para estes próximos três anos de mandato?
Projecto não, ideias daquilo que a casa precisa, tenho. Para mim isto ainda está a meio do caminho. Não tenho nada na manga, as coisas vão surgindo consoante as necessidades. Neste momento posso dizer que quero alterar o Centro-de-dia, e vou fazer um novo. Ele começa a não reunir as condições necessárias uma vez que a procura é grande. E é claro que quero fazer mais coisas mas não posso revelar. Quero que venha para cá outra pessoa, tenho sempre muitas ideias mas não posso ficar aqui toda a vida. Agora, na minha óptica, cruzar os braços nesta casa é fazer um funeral.
Gostaria de deixar alguma mensagem?
Sim, gostaria de dirigir-me às pessoas que trabalham nesta casa, que fossem sempre profissionais. Ao sê-lo estão a dar um bom contributo a si próprio, à casa e a toda esta terra. Ninguém é melhor, devemos ter a humildade de saber estar, foi aquilo que me levou a conseguir os objectivos.
Tenho uma grande equipa que me acompanha, uma grande direcção. E deixo aqui um apelo; todos os Rebordorenses, todos os sócios, tem aqui uma casa que é deles e portanto a devem proteger e acarinhar. Haverão sempre oportunistas que quererão se apoderar dela, distorcendo o objectivo primeiro. E contra o mal temos que estar atentos. Os estatutos prevêem isso, portanto há como actuar.
Entrevistado por: Elisabete Leal e Raquel Oliveira
Por favor, permitam-me dirigir, apenas duas palavras, de agradecimento e coragem a alguém.
Perante o acontecimento mais marcante desta cidade de Rebordosa, não podíamos ficar indiferentes; e por isso, aqui estou em nome de todos os idosos, para algo dizer sobre o nosso Presidente, fundador desta Associação.
Num curto espaço de tempo, multiplicaram-se as instalações Humanitárias no “Solar da Quinta do Cabo”; abrigam velhinhos, doentes, crianças do Centro de acolhimento temporário, Creche e ATL, apoio às mães solteiras etc.
Sr. Presidente, Manuel Neto, continue a dizer aos que choram de dor; diz-lhes que para além de todos os desertos, há sempre no amor, novos horizontes, canteiros e canteiros sempre abertos. Tu soubeste semear, neste recinto, o que ninguém, ninguém procura: a compreensão, o amor e a ternura.
Continua pois, nesta senda, alma generosa, a dar o teu contributo do teu precioso génio pessoal, o teu calor humano, o teu profundo sentido do amor pelos outros.
A força escondida, a grande certeza que para levar, sustentar, não é somente o sustentáculo móvel, mas antes uma coluna invisível. Tu deves manter vivo o ideal, a fé nos valores espirituais, a bondade e o amor, deves salvar o grande anelo da esperança e confiança na Providência Divina. Tu soubeste regar, com o teu suor e lágrimas, os alicerces desta majestosa obra, apreciada e acarinhada pelos seus visitantes, e contemplada pelos passeantes que ao longo dos dias vão surgindo.
E como a obra é humana continua com a construção de um novo Lar para idosos do Centro de Dia numa próxima época.
E Tu, Rebordosa? Deves sentir-te orgulhosa de possuíres obra tão famosa, obra-prima, dum valor extraordinário, que só valoriza e enaltece a vossa e nossa Terra. Para o seu fundador apenas um gesto de gratidão, um sentido obrigada….
Preciosa Lopes Gonçalves (89 anos)
SER UM LÍDER
Para ser um Bom Líder deve de ser ”Honesto, saber estar, progredir (produzir) e saber Gerir economicamente e também os recursos humanos”, palavras do Presidente da Associação para o desenvolvimento de Rebordosa Manuel Neto.
Para ser um Líder não é preciso ter formação, é um Dom que Deus nos dá porque nem toda a gente o tem, pois tem muito que se lhe diga estar num lugar destes. Também é preciso ter espírito de entrega, ser exemplar, ter atitudes condignas, objectivos com capacidade de iniciativa. Ele tem a capacidade de observar as pessoas pelos seus actos, e dar oportunidades de trabalho a pessoas sem grandes estudos, a ocuparem postos de trabalho de cargos importantes, sabe atingir e actuar na hora certa e agarrou as oportunidades que foram se proporcionando. Manuel Neto começou por fazer um peditório e comprou uma quinta, com os seus conhecimentos e, porque ele esteve ao serviço do povo 23 anos na junta de freguesia de Rebordosa, angariando fundos com um conjunto de amigos e um principal objectivo ajudar as pessoas mais carentes que são os idosos e as crianças e assim sendo criou Associação para o Desenvolvimento de Rebordosa já com 21 anos de existência. E porque sozinhos não se conseguem nada, com alguns projectos e amigos e com alguns colaboradores abriu um ATL e um Centro de Dia, depois um mini Lar nas instalações antigas, com capacidade para 20 utentes, com isso outras Valências foram-se proporcionando, tais como: Um centro Comunitário, um Pavilhão Gimnodesportivo, fez um aumento para um Lar novo, com capacidade para 60 utentes, uma Creche e um CAT (Centro de Acolhimento Temporário), foi criado o RSI- (Rendimento Social de Inserção), o GIP- (Gabinete de Inserção Profissional), pessoal no quadro tem noventa e duas, mas com o pessoal de formação são cento e dezassete é preciso saber gerir os recursos humanos. Um Bom Líder Arrasta multidões, tem grandes amigos desde serviços públicos tais como: Ministros do Emprego e Formação Profissional, amigos na Segurança Social, Presidentes de Câmara e de Junta, colaboradores da instituição etc.
E foi desta forma que ele quis colmatar uma grande necessidade nesta terra, a parte social. Felizmente com a força de vontade que traz, e com entusiasmo e coração aberto, ele foi enfrente com o projecto e diz:
“Eu criei a instituição, mas não foi com aquela ideia de criar o património que se tem hoje”.
Um líder é uma pessoa que consegue mover muita gente, pela sua maneira de agir, pelo seu talento, pela sua cultura ou experiência de vida.
Existem os líderes formais, que são aqueles que elegemos, para cargos ou postos, como o que acontece com os políticos.
Existem também os informais que são aqueles que respeitamos pela virtude da sabedoria e da experiência.
Existem três estilos básicos de liderança – autoridade, participação e delegação Os quatro estilos de liderança de Likert - autoridade exploradora, autoridade benevolente, consulta e participação. Os seis estilos emocionais de liderança de Goleman - visão, formação, afiliação, democracia, determinação e gestão. Visão, formação, aplicação, democracia, determinação e gestão.
A liderança é um processo de transformação. Apesar de parecer que algumas pessoas nascem com qualidades de liderança inatas, sem o ambiente e a exposição adequados, podem não conseguir atingir o potencial. Por isso, pode-se aprender a ser um líder, melhorando as capacidades de liderança, como por exemplo frequentando seminários, workshops e conferências de liderança. A aprendizagem ao longo da vida é importante para se tornar num bom líder, já que cada dia traz novas experiências que testam conhecimentos, capacidades e atitudes. Aplicar qualidades de liderança no dia - a dia, a credibilidade depende das suas acções. Juntam muitos amigos e colegas, a maneira como gere as suas responsabilidades pessoais e organizacionais e até mesmo amaneira como se veste ou fala. A liderança é responsabilidade partilhada entre membros de uma equipa ou grupo. Cada membro tem responsabilidades a cumprir, todos como membros de equipa tem de cumprir as suas funções.
A interacção social tem um papel importante na liderança. Para aprender a trabalhar em conjunto é preciso ter uma grande dose de confiança entre líderes e membros de uma equipa emergente. A confiança é conseguida com acções e não apenas com palavras. Quando há respeito mútuo, a confiança é fomentada e ampliada.
Ele sabe o que a população quer e pode usar este conhecimento tanto para fazer demagogia como para alavancar saltos mais altos rumo a um poder mais permanente que o do demagogo. O líder não é aquele que faz o que esperam dele, mas sim aquele que é capaz de convencer a sociedade que aquilo que ele pode fazer é o que deve ser feito.
Animadora Elisabete Ferreira Leal
